Ah, Paris
A realidade só é legal mesmo quando a gente pode sair dela e passear por aí.
Serve como um ponto de referência para ir e vir. Dela eu vou para algum lugar e dela eu volto de algum lugar.
Está sempre ali me esperando de braços abertos e pronta para me consolar quando eu venho de algum sonho muito bom e não me conformo de não viver nele para sempre.
Ando pelo que já passou e pelo que ainda vem, com a desenvoltura de quem acredita no mundo fabuloso que imagina. Lá atrás ou lá na frente, tanto faz quando todos os lugares parecem seguros e prateados como Paris. O pensamento é como uma música bonita que a gente pode ouvir mil vezes e não enjoar.
Lembrar faz tão bem. Tô com Paris na cabeça, no coração e no olhar.
Yann Tiersen me transporta num piscar de olhos. Posso me ver andando pelas ruazinhas com a minha sombrinha de bolinhas e olhar de quem tá descobrindo um mundo novo e deslumbrante. Nada é simples por ali, mesmo sendo. Fecho os olhos e volto para lá, onde cada esquina palpitava como uma história cheia de luz e personagens charmosos. Lá, onde mesmo sujo meu cabelo ficava lindo, era só prender e estava pronta para qualquer festa.
Aliás, Paris é uma festa. Hemingway não podia ter sido mais feliz na escolha do título do meu livro preferido. Foi ele que esteve comigo o tempo todo. Tomamos cafés, visitamos museus, nos deliciamos em restaurantes, subimos na torre e caminhamos às margens do Rio Sena. Estàvamos juntos, exceto pelo fato dele estar em 1921 e eu ano passado, mas ali as sensações se encontravam independente do tempo de cada um. Paris faz a gente ter vontade de escrever poesia, respirar moda e ainda viver uma paixão de cinema.
Faz a gente ter vontade de usar chapéu, comer croissant e entender tudo sobre arte. Alguém comete infrações numa cidade assim? Traição parece romântica e ninguém engorda porque ser feliz deve emagrecer. Sob aquele céu, absolutamente tudo é permitido em nome de uma luz que faz todo mundo brilhar em qualquer que seja a cena. Parece que por morar ali, tudo e todos serão perdoados.
Paris é uma festa, dessas que eu sinto muito, muito mesmo por não participar diariamente.



