Em dezembro eu acredito mesmo é no Visa
Dezembro vem vindo aí: cheio de luzinhas coloridas e aquela certeza fofa que em breve estaremos reunidos com o Peru Sadia e as pessoas que a gente ama em volta de uma mesa cheia de coisas gostosas.
E ele vem com suas vitrines deslumbrantes que fazem os olhinhos das mais consumistas adquirirem aquele brilho raro e insano de quem não precisa, mas deseja com uma força maior ou igual a de Napoleão.
É o mês da gente desfilar por aí com sacolas coloridas e ao mesmo tempo encarar aquele aperto no peito de quem tá feliz, mas esperava mais. Dezembro é meio uma espécie de confronto entre o que fizemos e o que deixamos de fazer e a esperança entra como mediadora, lembrando que ano que vem tem mais e agora não adianta lamentar.
Então corre para o shopping e faz da futilidade sua salvação, porque é isso que todo mundo vai fazer. É aquele mês que a gente nem nota uma criança pedindo no sinal devido a correria, mas se emociona com a beleza da decoração do Iguatemi.
Aquele mês que a gente tá contente sim, mas por via das dúvidas, custa nada carregar um rivotril na bolsa. Tá até realizada, mas de janeiro não passa, vai pedir aumento. Ama todo mundo, mas que saco gastar com tanto presente heim?
Digo que, se já não é fácil existir num mês normal nesse fica muito pior e ao mesmo tempo melhor. Vai entender. Ele vem para espalhar aquela vontade boa de presentear, abraçar e brindar. Mas vem também com todos os lugares lotados, os prazos esgotados e aquela urgência emocional que só se abranda quando seguramos uma sacola.
E a gente, que enfrenta tanta coisa durante o ano, em dezembro só quer saber mesmo é de enfrentar fila para consumir.
Só sei que ele chega cheio de si e faz da gente o que bem entende. Agora compra, agora celebra, agora abraça, agora compra de novo, agora come o peru, agora a sobremesa, agora brinda com champagne, agora engorda, agora chora que o vestido não serve, agora compra, agora corre que não vai dar tempo.
A única compensação é que, se por um lado, faz tempo que deixei de acreditar no Papai Noel, por outro, passei a acreditar e muito no Visa. Ele sim patrocina tudo isso e só cobra em janeiro, um problema a menos para dezembro, que por si só já é tão conturbado e ao mesmo tempo tão fofo.


