Inveja Fashion
A gente sabe que uma das piores invejas que pode despertar numa amiga é comprar um sapato sensacional numa promoção incrível e ainda mostrar boazinha com a seguinte frase:
- “Olha que sorte: só tinha um e bem meu número”.
Isso causa um efeito devastador, vai por mim. Nem um namorado fabuloso, nem uma herança inesperada nem 5kg a menos causaria o que um simples sapato barato é capaz de causar.
Não sei vocês, mas eu adoro fazer isso e tenho duas amigas “transtornadas” que são meus alvos principais. Uma delas chegou a enfiar o dedo no molho de maionese (de nervoso) durante uma conversa despretenciosa sobre minha nova aquisição.
E pera lá, que vou chegar em algum lugar com essa história.
Mas como a vida é boa e ainda tem gente bacana no mundo: tenho uma outra amiga que fez exatamente o contrário. Não quis fazer inveja, quis compartilhar uma grande descoberta. E quase sempre “grande descoberta” no dicionário feminino significa “loja”.
Acompanhem: estava eu de passagem (e bem rapidinho) por Curitiba um dia desses e ela quis porque quis me mostrar um outlet de sapatos que descobriu recentemente. Um lugar onde marcas dessas carésimas custam no máximo R$100. (isso mesmo, leia de novo se você não entendeu: R$100.)
É eu também não acreditei e fui lá para ver de perto.
- “Não vai sair espalhando isso heim?”, ela dizia.
- “Claro que não”. (pensei: só vou colocar no blog)
- “Eu vou lá toda semana, não aguento ficar sem ir”. (parecia uma dependente química falando).
E abriu o armário para me dar um teaser do que viria no dia seguinte na tal loja. Parecia um bandido mostrando uma coleção de armas reluzentes. Lá estavam eles lindos: Diane Von Furstenberg, Tory Burch, Donna Karan e outros de cores variadas e saltos altíssimos. Era de fazer inveja em Carrie Bradshaw, para vocês terem uma ideia.
Confesso que nem salto tô usando, mas né? Existem coisas que a gente não precisa nem usar, mas precisa ter. E além disso, tenho essa missão na terra de causar inveja nas minhas duas amigas transtornadas e levo isso muito a sério.
- “Jura que só custa isso?”
- “Juro”. Ela falava.
- “Não é possível!”
- “É”.
- “Mas isso é muito barato, imagina no Iguatemi quanto custaria?”
- “Mas você tem que prometer que não vai contar para ninguém”.
Era clara a regra imposta para eu também poder desfrutar do paraíso dos sapatos na terra. Quase que tive que assinar um contrato jurando sigilo eterno.
Regra essa inclusive, que não quebrei. A loja existe, fica na fofa gélida Capital, mas o endereço é quase segredo de maçonaria e não passo de maneira alguma. (tá. só para as mais legais) E foi assim que comprei um Diane Von Furstenberg mais lindo e alto do mundo por R$99. (Isso mesmo!)
Propositalmente coloquei no armário no lugar mais visível possível, para uma das “transtornadas” me visitar e já avistá-lo de longe lindo, lívido e meu.
- “Olha que sorte só tinha um e bem meu número”, falei bem boazinha.
E ela olhou para mim, exatamente com a cara que eu sabia que ela ia olhar.
E saber a cara que sua amiga vai fazer não tem preço, mas comprar o que vai fazer ela ficar com essa cara, pode ser com Mastecard.
Estão vendo porque existem coisas que a gente não precisa nem usar, mas precisa ter? Para causar inveja fashion nas amigas, porque essa é a inveja mais fofa que existe. Não tem maldade, ainda faz a gente rir e depois escrever um texto.



