Documentário: Miss Representation | Você não pode ser o que você não pode ver

Quantas vezes você já abriu uma revista de moda e após olhar aquele edtorial deslumbrante, sentiu vergonha de usar aquele vestido lindo que comprou por se sentir gorda? Em quantas ocasiões se achou feia por não ter a pele tão perfeita quanto a atriz da novela das 8 ou o sex appeal da Angelina Jolie em um daqueles filmes de ação? Quantas vezes se sentiu induzida a acreditar que você é inferior, superficial e que o seu valor só aparece se você vestir um manequim 34, tiver uma pele de porcelana e 2 metros de perna? Você já se pegou pensando que o seu corpo vale mais do que o seu cérebro? Aposto que qualquer mulher lendo esse post já se sentiu assim ao menos uma vez, mas por quê?

Esse é o tema central do Miss Representation. O filme, que foi selecionado para o Festival de desse ano, fala sobre a imagem que a mídia projeta de nós, mulheres, e como isso exerce uma  má influência sobre a visão que temos de nós mesmas. Chegamos a um ponto onde afirma-se que a mulher alcançou o mesmo poder e batalha lado a lado com os homens, mas você já parou para pensar em como o sexo feminino é retratado pela mídia até hoje? Por sua aparência. Ponto. As mulheres mais poderosas dos filmes/TV são acima de tudo bonitas e sexys. O poder da mulher está diretamente relacionado à sua beleza e sensualidade. A sociedade se tornou tão aficcionada pela aparência de uma mulher que mesmo as mulheres começaram a atacar outras que não estejam dentro da definição de beleza fabricada pela mídia. Basta olhar o trailer do documentário para ver mulheres dos meios de comunicação minimizando as realizações de outras mulheres devido à seus atributos físicos. É triste.

Infelizmente não sei quando o filme estreiará por aqui (se estreiar, né?), mas vale apena ficar de olho e pensar sobre o assunto. O site oficial da produção apresenta vídeo de meninas comuns dando depoimentos e incentivando a mudança dessa imagem da mulher. Vale apena olhar. O chato é que toda a temática é voltada para os EUA, mas convenhamos, aqui no Brasil nós vivemos a mesma coisa todos os dias, não acham?