Cinema | Do outro lado das câmeras: Sofia Coppola

Eu devia ter menos de quatorze anos quando me encantei por Sofia Coppola pela primeira vez – ela, que há muito tempo deixou ser “a filha de ” e é uma referência em si mesma. Nenhum dos seus longas tinha sido lançado ainda, mas uma entrevista com essa mulher que tem, ao mesmo tempo, uma personalidade tão doce e tão forte, conquistou minha atenção de imediato. A foto ao lado, que mostrava uma beleza expressiva, e uma elegância natural, também ajudou pra que eu nunca mais me esquecesse dela.

Anos mais tarde, quando assisti ao seu primeiro longa (1999), o ótimo drama “”, fiquei estarrecida com aquele soco no estômago do moralismo e da hipocrisia, que trouxe Kirsten Dunst em papel de destaque (parceria que elas voltariam a repetir em “”):

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Seu segundo filme é também um dos mais elogiados da sua carreira e consagrou definitivamente Sofia como cineasta. “ (“Lost in Translation”, 2003) foi vencedor do Oscar e do Globo de Ouro como Melhor Roteiro Original e já é considerado um clássico do cinema atual:

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Abaixo, Sofia recebe o seu primeiro Oscar – o primeiro de muitos que ainda virão, a gente aposta:

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Depois, Sofia embarcou em outra aventura completamente diferente: a biografia de Maria Antonieta, a jovem austríaca que se tornou Rainha da França e foi crucificada por toda história. Sofia, mais uma vez, teve um olhar diferenciado e sensível sobre o tema e fez um dos filmes esteticamente mais poderosos dos últimos anos com seu “Marie Antoinette” (2006):

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Uma vez, eu escrevi sobre ela, quando escrevi sobre “Marie Antoinette”:

“Com seu breve e denso currículo, a filha de Francis Ford Coppola esbanja talento genuíno e mostra que, embora tenha um traço comum por toda sua obra – seu olhar sensível, sua postura crítica diante do óbvio e sua refinada alma cinematográfica – é capaz de transitar em universos muito diferentes com a mesma competência: do subúrbio norte-americano dos anos 70 em seu primeiro longa para o cenário ultra-moderno de Tóquio no segundo, e agora uma biografia polêmica, com toda a pompa que um grande filme de época tem direito, mas sob um ângulo completamente inovador.

Sim, “Maria Antonieta” conta a história/estória da lendária rainha da França que ficou imortalizada pelos livros como um símbolo de frivolidade que levou a monarquia à decadência e foi decaptada depois da Revolução Francesa.

Mas, como se espera de Sofia, com sua leitura perspicaz da alma feminina, a sua Maria Antonieta é muito compreendida, e revela o lado humano da vida da rainha, suas qualidades e suas dificuldades. Esqueça a História tão quadrada que a crucifica: você vai se sentir solidário a ela.”

Seu último filme “” (“Somewhere”, 2010), novamente, foi recebido com entusiasmo pela crítica, comoveu espectadores e ganhou prêmios importantes mundo afora, inclusive o Leão de Ouro no Festival de Veneza como Melhor Filme:

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Abaixo, uma breve entrevista com Sofia, Stephen Dorff e a linda Elle Fanning, elenco de ouro:

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As suas trilhas sonoras, então, são um caso de amor à parte. Lindíssimas, sempre. Assim como a bela fotografia, que tem papel de peso para as estórias/histórias que Sofia deseja contar. Seu apuro com cada detalhe é admirável e, perdoem o clichê, faz toda a diferença.

O talento de Sofia, no entanto, vai além do Cinema e também pode ser apreciado em clipes e filmes publicitários, como o famoso vídeo em p&b criado para a música “I Just Don’t Know What To Do With Myself”, versão , com a modelo em uma dança pra lá de sensual, em clima bem intimista – tudo com a sofisticação do olhar de Sofia, claro:

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E, com uma atmosfera completamente diferente, este comercial da Dior, para o perfume , com e música de Brigitte Bardot (“Moi Je Joue”), também dirigido por ela:

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Ah, e não é que estou querendo me gabar de nada não, mas Sofia também é taurina. Como Audrey. E como eu. ;)

Nascida em 14 de maio de 1971, em Nova York, a bela, que sempre foi discreta, já namorou os diretores Spike Jonze e Quentin Tarantino, e é mãe de duas filhas (nascidas em 2006 e 2010), frutos de seu relacionamento com o músico Thomas Mars, da banda Phoenix. O casal continua junto e parece viver feliz, na maior parte do tempo longe dos holofotes.

Na Semana da Mulher, escrever sobre ela é inevitável pra mim. Sofia foi e é uma forte referência na minha vida. Não apenas pelo seu excepcional trabalho como cineasta, mas também pela sua postura diante da vida – ela parece ser uma daquelas mulheres que transpiram sabedoria em tudo que fazem. E, assim, também tanto nos inspiram através de seus exemplos.

Curiosidade: Sofia também já trabalhou como atriz e fez participações em filmes como “O Poderoso Chefão” (1972), ”O Poderoso Chefão: Parte III” (1990)  e “Star Wars: Episode I” (1999) – tentativas não muito bem recebidas pela crítica.

Está espantado com a versatilidade de Sofia? Espere só que ainda tem mais: ao lado de , Diretor de Design de Estúdio da Louis Vuitton, produziu uma linha completa, a coleção Resort 2012 da marca francesa. Julie resumiu o estilo de Sofia impecavelmente: “She has an effortless, casual chic“. As peças são lúdicas, com um ar retrô que a acompanha desde sempre, e um tom divertido que me ganhou fácil, fácil. Na foto abaixo, bolsa de Sofia para LV:

Sofia já havia participado de uma campanha da Louis Vuitton, ao lado de seu pai, mas antes como modelos – em apoio ao The Climate Project. A foto de é uma das minhas preferidas de todos os tempos:

Veja o behind the scenes aqui:

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Quem, como eu, admira Sofia tanto por trás como na frente das câmeras vai gostar de conhecer esse tumblr exclusivamente dedicado a ela. Vale a pena seguir e acompanhar momentos raros de uma das cineastas contemporâneas mais talentosas não apenas entre as mulheres, mas entre todos os homens consagrados no ramo também.

E o que ainda podemos esperar dela? Bem, seu próximo longa, “The Bling Ring“, está em fase de pós-produção e tem estreia prevista para 2013.

Que esse seja apenas o começo de uma extensa e promissora carreira de muito sucesso: sempre que um novo filme de Sofia estreia, eu tenho mais um motivo para ser feliz.