Música | Riot Grrrl, uma força revolucionária feminina

Eu sempre fui uma criança muito ligada à e desde pequena, quanto mais barulho para mim sempre foi melhor. Cresci assim e lá no início da minha adolescência conheci um movimento feminista que me fez mudar a forma como eu via o mundo e especialmente, a maneira como me via intelectualmente, fisicamente e sexualmente: o Riot Grrrl.

Quando falamos sobre a história do rock e suas diversas vertentes desde seu surgimento lá nos anos 1950 até hoje, é praticamente impossível não citarmos aquelas bandas que, em nossa opinião, mais se destacam. Se pararmos para prestar atenção, perceberemos que dificilmente bandas formadas apenas por garotas fazem parte do nosso imaginário rock ‘n’ roll. Pode parecer irônico, mas é fácil perceber que, embora esse estilo musical ganhe destaque por ser de certa forma, revolucionário, ele sempre foi algo muito masculino. Alguns movimentos, como por exemplo, o , serviram para “reafirmar” que lugar de mulher não era na guitarra, baixo e muito menos na bateria. Só que na prática as coisas não eram bem assim. Um exemplo muito atual – por causa do cinema – era Joan Jett e a banda The Runways, além de Patti Smith e Siouxsie Sioux. Inspirado por essas e outras roqueiras de peso que fizeram sucesso no final dos anos 1970 até meado dos anos 1980, em 1990 surgiu em Olympia (Washington, USA) o Riot Grrrl que tem como principal forma de expressão a música.

Popularizado por bandas formadas quase totalmente por garotas, o movimento nunca foi uma versão feminina do machismo, na verdade as grrrls são contra o sexismo acreditando que não deve existir um sexo dominante. Acreditam na igualdade dos sexos, raças e na não descriminação por opção sexual. Grrrls não tem medo de expressar suas idéias, sexualidade e demonstrar sua força. Como forma de protesto, as seguidoras do movimento se apresentam com roupas masculinas e até mesmo com camisetas e inscrições em seus corpos com as palavras “Rape” (estupro) e “Slut” (vadia), se referindo aos abusos sexuais sofridos pelas mulheres e pelos comentários machistas em relação a meninas em bandas de rock.

Entre as bandas mais influentes do movimento estão: 7 Year Bitch, Babes in Toyland, Bikini Kill (da vocalista Kathleen Hanna, uma das precursoras do movimento e que hoje canta em outra banda riot chamada Le Tigre), Bratmobile, L7 (que fez um show histórico no Hollywood Rock de 1993 aqui no Rio no mesmo dia do Nirvana) , Le Tigre, Sleater-Kinney e Tribe 8. A banda Hole, da vocalista Courtney Love, também é muito citada como parte do movimento pela temática de suas músicas e o estilo de som produzido, mas Courtney sempre fez questão de afirmar que não se identifica com o movimento e despreza a cena de Olympia (a última faixa do álbum Live Through This chamada Rock Star é uma crítica clara ao movimento). No Brasil, se destacam as bandas Bulimia e Dominatrix, essa última, ainda em atividade.

Com um som barulhento, vocais histéricos, letras de protesto – no melhor estilo punk rock e hard core – o movimento Riot Grrrl foi e é importante para reafirmar o papel da mulher na sociedade e provar que se os homens podem, nós também podemos. Eu acredito que você não precisa se vestir como elas (apesar de adorar o estilo de algumas) ou seguir um estilo específico, seja ele punk ou qualquer outro. O importante é entender a ideologia e aceitar que garotas tem tanto poder e capacidade quanto qualquer homem e não se deixar abater ou se submeter a todas as ideias machistas que a mídia e a sociedade tentam nos impor a cada dia. Nas palavras de Kathleen Hanna no Riot Grrrl Manifesto: “Eu acredito com todo o meu coração, mente e corpo que garotas constituem uma força revolucionária que pode, e vai mudar realmente o mundo”.

Para quem quer conhecer ou já conhece e quer relembrar, preparei uma mixtape com algumas músicas que representam bem o movimento. É só clicar play ;)

Riot Grrrls from pseudologia on 8tracks.