Artes | Dame Vivienne Westwood
Pode-se dizer que o movimento punk teve como os dois grandes alicerces a música e a moda. Ele é um caso claro onde é muito difícil distinguir onde começa um e outro termina. A verdade é que o punk com a imagem que conhecemos nasceu de uma boutique e ela teve nome, endereço e uma idealizadora que faz moda até hoje: Vivienne Westwood.
Nascida em 1941 em Derbyshire Reino Unido, Vivienne estudou Moda e Ourivesaria na Harrow School of Art (Universidade de Westminster), mas largou o curso após o primeiro período porque não sabia como garotas vindas de famílias de classe trabalhadora como ela poderiam ganhar a vida fazendo arte. Estudou então para ser professora e começou a dar aulas para crianças em nível primário. Em paralelo criava jóias e as vendia em uma barraquinha na Portobello Road.
Sua vida mudou quando ela conheceu Malcolm McLaren (que viria a ser o produtor dos Sex Pistols e New York Dolls) e com ele se casou. Naquele período o movimento hippie ainda exercia grande influência na moda, mas o casal estava muito mais interessado no estilo de se vestir dos rebeldes dos anos 1950. Inspirada pelo estilo teddy boy a estilista abriu em 1971 junto com Malcolm a Let it Rock, que ficava na 430 Kings Road. No ano seguinte, sob o nome Too Fast to Live, Too Young to Die, lançaram uma linha de camisetas com mensagens provocativas que os renderam uma acusação judicial por obscenidade. Tal acusação os levou a criarem a SEX, uma loja onde Vivienne transformou em sua coleção de roupas alças e fechos de fetichismo sexual em moda e inspirou um do it yourself estético. Os meios de comunicação chamaram de Punk Rock.
O mais interessante é notar que esse estilo rebelde anos cinqüenta mesclado com o fetiche de SM começou a fazer parte do figurino das bandas agenciadas por Malcolm (e vestidas por Viviennne), difundindo assim, o estilo visual punk como conhecemos hoje: Jaquetas perfecto, zipers, jeans surrado, muito couro, rebite, correntes e spikes. O single God Save the Queen do Sex Pistols estourou e todos queriam se vestir como ele e eles vestiam Vivienne Westwood! É ou não é para dizer que ela foi e é a dama e musa inspiradora do punk?
Mas, no final dos anos 1970 o colapso dos Sex Pistols e a absorção de Punk pelo mainstream fizeram com que Westwood perdesse o encamento pelo movimento e em 1980 a loja foi rebatizada de Worlds End, o nome ainda em uso hoje. Nessa nova fase, a designer passou a investir em elementos que até hoje são sua marca registrada: Tecido escocês tartan, androgenia e o uso de referências dos séculos XVII e XVIII usadas de maneira moderna. A sua primeira coleção de passarela apresentada em 1982, The Pirate Collection, chamou a atenção da mídia e se destacou durante a London Fashion Week.
Vivienne separa sua carreira como estilista em períodos, sendo eles: Early Years (durante os anos 1980 ainda com uma pegada punk com tom irreverente); The Pagan years (início dos anos 1990 onde debocha das meninas da alta sociedade inglesa. Inclui uma de suas coleções mais famosas a Harris Tweed collection of Autumn/Winter 1987); Anglomania (mistura de elementos da moda francesa e inglesa dos séculos XVII e XVIII com toques de modernidade. As Melissas feitas em parceria com a estilista são inspiradas nesse período de sua carreira); Exploration (Fase atual. Uma moda andrógena que utiliza o tecido como uma massa viva que pode ser moldado de diferentes formas).
Sou apaixonada por seu trabalho e ultimamente tenho caído de amores por seus vestidos de noiva. Confesso que esse amor começou com o vestido de casamento de Carrie Bradshaw no filme de Sex and the City e não foi mais embora. Adoro todo aquele rococó que ela transforma em lindos vestidos de noiva.
Sempre engajada, em setembro de 2005, Vivienne juntou forças com o grupo de direitos civis britânico, o Liberty, e lançou um projeto limitado de camisetas exclusivas e de roupinhas de bebê que traziam o slogan “Eu não sou um terrorista, por favor, não me prenda”. Westwood disse que estava apoiando a campanha e defendendo o habeas corpus. “Quando eu era estudante, meu professor de história, o Sr. Scott, começou a explorar em suas aulas assuntos cívicos. A primeira coisa que ele nos explicou foi a regra fundamental do direito consagrado no habeas corpus. Ele falou com orgulho da civilização e da democracia. Nós só podemos tomar a democracia como um dado adquirido se insistirmos na nossa liberdade “, disse ela. Eu assino embaixo!









