Política | A representação feminina na mídia

É muito fácil escolher um dia do ano para se homenagear as mulheres. Dar flores, elogiar, dizer palavras bonitas. Mas vamos cair na real: vivemos numa sociedade machista, que paga salários inferiores a nós mulheres, que implica com a nossa presença no trânsito, que nos submetem a julgamentos e rótulos por causa da roupa que vestimos, da cor do nosso cabelo, da profissão que escolhemos. Se nos assediam, a culpa é nossa porque “provocamos”. Somos taxadas de “amélias”, “cachorras”, “sexo frágil”. Somos expostas e definidas por nossos corpos, como se tudo que nos valesse fosse a juventude e a aparência. Elevam algumas de nós ao duvidoso status de “objeto de desejo”, para depois vir alguém apontar, dizendo “aquela é outra que é pra casar”.

Por isso acredito que toda mulher deveria pelo menos neste dia refletir sobre o quanto de misoginia a cerca e o quanto ela própria acaba adotando desse comportamento machista sem perceber. Muitas podem até alegar que não, que são cercadas por pessoas que as valorizam e dizer que não sofrem preconceitos. Mas basta ligar a TV, abrir o jornal. Quantas vezes a imagem feminina não é explorada e sexualizada? Quantos programas que se destacam porque ridicularizam nossa inteligência e a aparência das já não tão jovens ou das que estão fora dos “padrões” de beleza?

O sexismo e a exploração da imagem feminina aparece até em material publicitário de marcas famosas


Essas questões são de extrema importância e, ainda bem, tem sido discutidas por pessoas que tem tentado mudar esse quadro e conscientizar a sociedade de que a mulher é sim tão capaz quanto o homem, além de ser bonita do seu próprio jeito, em sua individualidade. Exemplo disso é o movimento
“MissRepresentation.org”, resultado do documentário de mesmo nome, produzido pela atriz Jennifer Siebel Newsom (Mad Men e Numb3rs), sobre o qual a updater Joana postou há alguns meses aqui no Plush Blush. Apoiado por personalidades como Condoleezza Rice, Oprah Winfrey e Jane Fonda, o documentário aborda questões referentes a como a mídia limita a representatividade feminina, disseminando o conceito de que o valor da mulher é definido pela aparência, jovialidade e sensualidade – e como isso condiciona a ambição das mesmas.

A mensagem do MissRepresentation.org é um desdobramento, uma solução ao problema proposto no documentário: estimular a construção de uma mensagem feminina mais encorajadora e não sexista na mídia, para que as mulheres, sobretudo as jovens, sejam mais confiantes em seu potencial. No site, são indicadas cinco ações para quem quiser aderir ao movimento:

1) Compartilhe com cinco pessoas sobre o filme e conte uma coisa que você aprendeu ao assisti-lo;

2) Os pais devem assistir TV e filmes com os filhos e levantar questões como “e se esse personagem fosse menina?”;

3) Lembre-se que suas ações influenciam. Mães, tias e parentes mulheres não devem julgar a si mesmas por sua aparência. Pais, tios e parentes homens, tratem as mulheres ao seu redor com respeito. Lembre-se que crianças em sua vida estão assistindo e aprendendo com você;

4) Use seu poder de consumo. Pare de comprar tablóides e assistir programas que degradam as mulheres. Vá ver filmes escritos e dirigidos por mulheres. Evite produtos que recorrem ao sexismo na sua publicidade;

5) Seja uma mentora! É tão fácil quanto convidar uma amiga para um almoço. Comece a ter conversas abertas e honestas sobre o tema com uma jovem de seu círculo social.

Vamos combinar: são atitudes bacanas e fáceis de adotar. Para ilustrar a importância das pequenas ações, o movimento produziu em parceria com o LoveSocial.org um vídeo especial para esse Dia Internacional da Mulher, sobre escolhas saudáveis na mídia e algumas dicas como as que listamos acima, para valorizar mulheres e meninas.

O resultado quando nos importamos com a imagem feminina que nos é mostrada são ações superbacanas como o “The Health Initiative”, incorporado pelas “Vogues” de todo o mundo. O projeto aborda assuntos polêmicos no meio fashion, como a saúde das modelos, magreza excessiva e distúrbios alimentares, além de estabelecer alguns princípios básicos, como a não publicação de imagens de meninas menores de 16 anos ou que não sejam saudáveis, o apoio a mulheres que tenham um estilo de vida saudável e a promoção de bons hábitos alimentares. É de grande importância o reconhecimento de uma revista como a Vogue do seu papel educativo e influenciador na imagem que meninas e mulheres de todo o mundo criam de si mesmas.

Não acredito que nossa sociedade vá mudar do dia para a noite. Que amanhã não haverá mais preconceito de gênero, que não haverá mais violência contra a mulher, que seremos respeitadas por nossa capacidade e não apenas pelas curvas do nosso corpo. Que o dia da mulher não será apenas 8 de março. Mas para que isso mude um dia , precisamos começar agora e precisa partir de nós.