Cultura | A herança de Lina Bo Bardi ao Brasil

Sempre tive profunda admiração pela de . Quem não conhece o museu mais importante da América Latina e um dos maiores ícones da cidade de São Paulo, o MASP na Avenida Paulista? E o Sesc Pompéia? Estes foram alguns dos bons projetos que a arquiteta e artista plástica italiana naturalizada brasileira deixou para o nosso país.

Foi aos 32 anos, em 1946, que a então italiana Achillina Bo Bardi chegou ao Brasil acompanhada de seu marido Pietro Maria Bardi. O casal traumatizado pela destruição que a II Guerra Mundial causou em sua cidade natal, Milão, se encantou imediatamente com a beleza natural do Rio de Janeiro. Mas foi em São Paulo que resolveram ficar.

Alguns anos mais tarde Lina projetou e construiu no Morumbi a primeira residência no bairro que naquela época ainda era uma reserva de mata brasileira cheia de animais selvagens. A foi onde Lina e Pietro viveram por mais de 40 anos, onde ainda hoje estão guardados os livros e documentos pessoais do casal e onde, em 1992, Lina morreu feliz, trabalhando e deixando em andamento dois projetos importantíssimos: a Nova Sede da Prefeitura de São Paulo e o Centro de Convivência Vera Cruz.

Um pouco antes, em 1990, começaria a história da maior e melhor herança que Lina e Pietro poderiam ter deixado para a cultura brasileira.

A Casa de Vidro se tornou sede do instituto Lina Bo e P.M. Bardi, a concretização do sonho que o casal tinha em poder de alguma maneira divulgar e promover a cultura e as artes brasileiras no Brasil e no exterior. A casa hoje é tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo, CONDEPHAAT, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, IPHAN e passa por restauros cuidadosamente acompanhados pelos dois órgãos. Por conta disto, infelizmente, a visitação hoje é bastante restrita. O objetivo do instituto pós restauro é poder proporcionar todo e qualquer tipo de atividade cultural e artística como exposições, mesas redondas, fóruns de discussão, que mantenha viva a memória do legado deixado pelo casal.

Uma boa oportunidade de conhecer a casa será em setembro deste ano quando as portas serão abertas para receber uma exposição com obras especialmente criadas para o espaço por 30 artistas renomados nacionais e internacionais, entre eles Rem Koolhaas, Sanaa, Cildo Meireles, Ernesto Neto e Paulo Mendes da Rocha. A exposição e o passeio prometem ser inesquecíveis.

Através do instituto e dos projetos, Lina deixou um legado cultural para o Brasil que poucos deixarão.

Fica a nossa missão de divulgar e promover este tipo de iniciativa. :)