Cultura | Madres de Plaza de Mayo 35 anos

O que é ser mãe? Essa realmente é uma pergunta difícil de se responder, principalmente quando você ainda não passou por essa experiência.

Mas tem coisas que indiscutivelmente passam pra nós, reles mortais, uma lição sobre a maternidade.

O post de hoje vai falar, mas também homenajear e refletir, sobre as Mães da Praça de Maio, mulheres que há 35 anos se reúnem todas as quintas-feiras em frente a Casa Rosada, em Buenos Aires, com um só objetivo: não deixar que seus filhos desaparecidos, desapareçam também da memória do país.

Durante a Ditadura Militar na Argentina, milhares de jovens revolucionários ou não, desapareceram sem deixar registros. Muitos, ainda crianças, foram tirados de seus pais subversivos à força, e ficaram sob a guarda de famílias militares. Centenas de prisioneiras tiveram seus bebês em cativeiros e nunca chegaram a conhecê-los.

No dia 30 de abril de 1977 essas mães se uniram contra a autoridade do governo e, em praça publica, saíram a reivindicar o direito de ao menos receber notícias de seus filhos. O ato teve como resposta o sequestro, tortura e assassinato de muitas delas.

A violência só fortaleceu ainda mais a indignação e desespero das mulheres que passaram a caminhar dando voltas na praça, todas com um pano branco da cabeça e questionamentos sem respostas nas mãos.

A história das Madres é impecavelmente retratada no filme La historia oficial, o primeiro da America Latina a vencer o Oscar de melhor filme estrangeiro. Ele pode ser visto na íntegra neste link.

Já bem velhinhas, as mães que compõe o grupo comemoram as vitórias que tiveram até hoje: 265 repressores condenados e 806 processados.

Hebe de Bonafini, a líder do grupo, confessa que ela e suas companheiras, que ultrapassam os 70 anos de idade, já não estão em condições de marchar. Doem os joelhos, as pernas, o coração, os rins, tudo. “Mas mesmo assim, quando se aproxima das três da tarde, vamos correndo pra frente do espelho para colocar o pano na cabeça e quando chegamos na praça já não sentimos dor nenhuma” diz convicta.

É só com o amor de mãe, ou melhor, de mães, que um passado tão negro e cheio de dor, ganha vida e espaço e não cai no esquecimento de um país inteiro.

Para nós, fica uma lição de maternidade, luta e amor.