Essa instalação interativa no Indiana Museum of Contemporary Art é daquelas que dá vontade de ter em casa. Uma grande parede com desenhos simples rabiscados e algumas peças espalhadas pela sala podem ser pintadas com canetas gigantes durante a exposição.

Uma ideia super simples, mas que dá pra se sentir criança de novo (e de quebra realizar o sonho de criança de rabiscar as paredes com canetinha).

Já pode fazer na sala?
Debbie Corranoé publicitária, e quer conhecer, ler, ser e viver um milhão de coisas ao mesmo tempo.
Musical O Mágico de Oz estreia em SP
por Tata Giglio em segunda-feira, fevereiro 18, 2013 ·

Falando em Oz, Mágico e Poderoso, outra superprodução inspirada na história encantadora de Frank L. Baum estreia dia 22 de fevereiro nos palcos do Teatro Alfa em São Paulo: o Musical O Mágico de Oz.
A atração escrita pelos reis dos musicais Charles Möeller e Claudio Botelho é baseada na história do filme de 1939, eternizado por Judy Garland no papel de Dorothy, a menina levada por um tornado rumo à fantástica estrada de tijolos amarelos e um universo jamais explorado antes.
O grande destaque da peça é a volta triunfal aos palcos de Luiz Carlos Miele – e é dele o papel-título d’O Mágico de Oz. Também estão no elenco Lúcio Mauro Filho, que brilha na pele de um Leão Covarde afeminado, Nicola Lama, como o Homem de Lata e Malu Rodrigues, verdadeira revelação como Dorothy, e Heloísa Perissé no como Bruxa Má do Oeste e André Torquato no papel de Espantalho – novidades no elenco (na primeira temporada em cartaz no Rio, Maria Clara Gueiros e Pierre Baitelli interpretaram os papéis de bruxa má e Espantalho).

Tive a oportunidade de assistir à temporada carioca (que teve 80 mil espectadores!) no ano passado e admito que me surpreendi muito positivamente. Fiquei impressionada com a riqueza dos cenários e efeitos especiais incríveis de verdade, sem falar que a maquiagem e o figurino estão caprichados e a interação dos atores é impagável (sem falar que o cachorrinho Totó é fofo demais, claro).
A montagem é baseada na única adaptação autorizada para o teatro, feita pela Royal Shakespeare Company, seguindo praticamente todo o roteiro do filme, vencedor do Oscar de Melhor Trilha Sonora e Canção Original (Over the Rainbow). Ou seja, vale muito a pena conferir.

Hora de fazer um esquenta para a megaprodução da Disney indo pra algum lugar além do arco-íris!
O Mágico de Oz
Teatro Alfa: Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722 – Santo Amaro
Bilheteria: de segunda a sábado das 11h às 19hs e domingos das 11h às 18h. Em dias de eventos até o início dos mesmos – ou aqui no Ingresso Rápido.
Ingressos: de R$ 40 a R$180
Tata GiglioCriadora do Plush Blush, taurina, bem (mal) humorada e amante de gatos.
Não, o título desse post não é sobre o que você está pensando (sua desavergonhada). Estamos falando da doidinha da Natalie Irish, uma artista norte-americana que escolheu uma ferramenta bem diferente de pintar quadros: seus lábios. Isso mesmo. Ela sai dando beijinhos na tela, sem medo de ser feliz, e o resultado é um monte de quadros super divertidos.

Pra quem mora em São Paulo, a boa notícia é que ela vai estar na estação Paraíso do metrô nessa quarta (dia 20/2/13), pronta para encher de beijos uma tela, ao vivo. Com uns beijinhos aqui e outros ali, ela vai representar uma mulher brasileira num painel. Bacana, né? Fico pensando no namorado dela. Não precisa nem fazer tatuagem.
Francine Guilené feliz. Também é contadora de histórias e curandeira de conteúdo.

No mês de agosto ainda não havia gosto, apenas o seu rosto a me mirar com esses olhos que me derretem os poros e essa boca que me esquenta a roupa num calor que deixa a mente quente e o pulso acelerado, como quem comete um pecado, mas é só o ponto de ebulição. É como acordar pra vida e botar o bloco na avenida, tem uma hora que não tem mais saída: a gente joga fora a fantasia pra ostentar no peito a nossa mais esplendorosa alegoria – o coração.
No meio da confusão, fomos dois corações na contramão. No meio do breu, fomos só você e eu. No meio da multidão, você me pega pela mão e cola seu corpo no meu num movimento lento. Por um momento, seus dedos me tocam a nuca, eu me derreto feito açúcar, devagar eu encontro teu queixo que me tira do eixo, eu deixo. De mão dada já não penso em mais nada. Vamos lá pra fora onde há vida acontecendo agora, tem uma lua brilhando no céu do libido colorido dos nossos sentidos, ruídos, fluídos. Tem cheiro de mar pra saudar e um vento gelado pra secar nossos corpos suados na madrugada embriagada de estrelas, dezenas delas a se apagar no céu nu, seu nu. Deixa eu cantar pra nós dois, deixa vir o que vem depois, amor a dois, chuva de arroz.
Já não sei ao certo quando é hoje, já não sei quanto tempo faz. Só sei da paz que é ancorar no teu cais. Sinto sua maresia e seu gosto de sal a me salivar. Vejo os seus olhos a me mirar por onde quer que eu vá. Sua voz ecoa, atordoa, abençoa. A gente se cobre de chamego, sem medo ou segredo. A gente fica à toa numa boa, sua mão segura a minha cintura, o meu quadril, em novembro, dezembro, março ou abril. De janeiro a janeiro. O ano inteiro. É fevereiro.
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Veronica Fantonié carioca e escritora, louca por música, vestidos e dias de sol.

Era uma manhã nublada. Soprava um vento gelado, desses que ardem as bochechas e congelam a ponta do nariz. Ele escondia as mãos nos bolsos da calça, caminhando entre as folhas secas que formavam um tapete amarelo e vermelho no chão. Em vão, tentava proteger-se do frio em um passo acelerado que o levava de uma calçada a outra.
Chegou antes do previsto. Sentou-se em um banco de madeira, mascava chiclete de canela e contava os minutos, enquanto observava donos sendo guiados por seus cachorrinhos e babás empurrando carrinhos de bebê. Naquele pedaço de verde perdido no meio do espaço urbano, seu pensamento voava longe e seus olhos procuravam ao redor. Foi quando de longe, ele a avistou.
Colorida e como se flutuasse, ela tinha um jeito leve de andar. Ainda distante, num aconchego, ela lhe sorriu com o olhar até que se aproximou. Com as unhas pintadas de vermelho e a boca pintada de rosa, chegou bem perto e quase pode tocá-lo. Deu mais um passo, suspirou e entregou-se em um abraço apertado, longo e silencioso. E o sol arriscou brilhar seus primeiros raios, que delicadamente foram abrindo fendas por entre as nuvens e aquecendo tudo o que estava sob elas. A luz era quente e penetrava entre galhos e folhas, alcançando também aqueles dois corpos, confusos diante de um clarão.
Não tinha mais frio, não tinha mais dúvida. “Tenho 29 beijos pra lhe dar”, ele disse.
Ela aceitou cada um deles.
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Veronica Fantonié carioca e escritora, louca por música, vestidos e dias de sol.
Felicidário | 365 ideias para maiores de 65
por Francine Guilen em sexta-feira, fevereiro 1, 2013 ·

Se felicidade é um conceito difícil de alcançar até pra gente, que na teoria é jovem, bonita e tem tudo o que quer – do jeitinho que a mídia pinta – imagina pra quem não se vê estampado na capa de revistas como modelo de beleza todos os dias. E que já se aposentou e passa dia após dia com saudades da família.
Depressão em pessoas idosas é uma realidade que pega diversas pessoas no mundo, e, se não for bem acompanhada, com terapia e muito carinho, pode ser um passo para o desenvolvimento de outros males.
A instituição portuguesa Encontrar+se cria projetos de capacitação a favor da saúde mental de pessoas que se encontram com algum grau de comprometimento. Junto à agência Lintas, ela desenvolveu o Felicidário – um projeto que se propõe a falar sobre o que é felicidade depois dos 65 anos. É uma mistura de calendário com dicionário, atualizado diariamente, que junta uma ilustração bacana com uma curta ideia traduzida em uma frase, para inspirar vovôs e vovós.


Todas as ideias foram escritas por uma pessoa com mais de 65 anos de idade – e as ilustrações são de um time de ilustradores apresentado no site.
Vendo isso, dá vontade de lançar um com 365 ideias para menores de 65. A primeira ideia: felicidade é abraçar seu avô e sua avó hoje. De preferência, agora.
Francine Guilené feliz. Também é contadora de histórias e curandeira de conteúdo.
As ilustrações de Emma Leonard
por Noemi Gomes em sexta-feira, fevereiro 1, 2013 ·

Conheci o trabalho da ilustradora Emma Leonard através de Giovanna Borgh, uma daquelas amigas com talentos privilegiados, sabe?
Desde a primeira visita ao portifólio de Emma fiquei encantada com sua sensibilidade. Australiana de Melbourne, Emma é uma ilustradora que combina técnicas digitais e mais rústicas para expressar a delicadeza e beleza feminina. Em seus traços, muitas vezes usa recortes para finalizar ou até mesmo definir seus desenhos, que muitas vezes estampa páginas de revistas femininas, como a ELLE Quebec e até artes para a Mitsubishi. Uau.
O que mais chama atenção nos desenhos de Emma, são as cores nas expressões femininas. Ela consegue, de forma ímpar, demonstrar as confusões da mente, a melancolia, a alegria, delicadeza. Características muito familiares a todas nós, né?
Para quem curtir muito e quiser espalhar o talento da australiana em casa pode correr para o site da artista, dá até para encomendar as ilustrações e receber em casa.
Noemi Gomespublicitária e apaixonada por café e música.

Faz frio e nem parece que é verão. Pouco saio de casa. Na cama eu leio e assisto o tempo passar enquanto curo minhas noites de insônia com chá e cartas que eu escrevo e nunca vou enviar. Ando abatida como passarinho com asa ferida. Espero sarar.
Nas ruas, ando a passos largos e apressados, me esquivando dos pingos de chuva que me caem sobre a pele e saltando poças d’água que se acumulam junto ao meio fio. Eu me esquivo também de gente, de guarda-chuvas, de olhares. Evito possíveis bom dias e sorrisos amarelados que brotam nos lábios do outro lado. Evito palavras vazias que fogem das bocas mesmo quando não são desejadas. Ando rodeada de pessoas que eu nem sei quem são e o cinza do céu ameaça qualquer raio de sol que se arrisque a brotar entre as nuvens pesadas. Não é outono, não é inverno, não é primavera. É um dia cinza após o outro e, ainda assim, é verão.
No caminho de casa eu me lembro de quando nós éramos nós e nascia um verão por dia na janela do que era só nosso e estava em edificação. Tempo em que tínhamos corações férteis e um jardim inteiro brotando pra receber borboletas coloridas e beija-flores velozes e sedentos por mais uma flor, mais um beijo. Hoje somos sós, somos somente nós, nós atados esperando solução. A cada dia você coloca mais um tijolo nessas paredes que te protegem de mim e protegem a mim de você, como se houvesse alguma coisa sua nesse mundo a qual eu devesse temer, como se houvesse alguma coisa em mim que eu ainda não tivesse dado a você.
Eu te vejo erguer esse muro alto sozinho, esquecendo que juntos, já fomos, um dia, construção. Você se trancou aí dentro, eu me tranquei aqui fora. Com o coração em obras, sou andorinha sozinha te esperando pra fazer verão. Derruba essas paredes, põe abaixo esse muro. Sai daí de dentro. Vem dançar no meu quintal.
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Veronica Fantonié carioca e escritora, louca por música, vestidos e dias de sol.
Manifesto dos Sentimentos Desenhados
por Cinthia Pascueto em segunda-feira, janeiro 28, 2013 ·

Já pensou em representar através da arte o seu ponto de vista sobre sentimentos universais, ter a chance de expor o seu trabalho e ganhar por isso? É o que propõe o Manifesto dos Sentimentos Desenhados – desenhe sentimentos, a série, lançado pelo Itaú Cultural e a rede social de crowdsourcing e crowdfunding itsNOON. A primeira chamada tem como tema o AMOR. Nem precisamos dizer que adoramos a escolha. <3
A série terá quatro etapas, divididas entre os sentimentos-temas amor, medo, coragem e alegria. Quem se interessar pode inscrever seus trabalhos – como desenhos, colagens, fotografias, texto, vídeo ou áudio – para a primeira chamada até o dia 11 de março de 2013. A seleção será anunciada no dia 20 de março e os escolhidos recebem um pagamento (bem simbólico, digamos) de R$100,00, creditado na conta do usuário dentro da rede social. Os melhores trabalhos de cada etapa estarão reunidos em uma exposição que será realizada no final de 2013 na cidade de São Paulo, além de serem expostos na Vitrine Cultural no site do Itaú Cultural.

Um dos desenhos inscritos na chamada, de Viviani Fujiwara
A updater Debbie Corrano contou pra gente que o Manifesto a fez lembrar de um projeto do qual participou realizado por seu amigo Jun Ioneda, chamado Livro Cambiante, que teve a proposta de criar, através de um livro itinerante, experiências estéticas e interativas entre os participantes, que deveriam deixar suas impressões sobre cinco sentimentos – desejo, medo, melancolia, cólera e amor – e após duas semanas passar o livro para outra pessoa.

Uma das representações do amor no projeto Livro Cambiante
Quanto ao Manifesto dos Sentimentos Desenhados, eu fico aqui na torcida para a updater Verônica Fantoni participar. Já viram como ela escreve bonito o Amor? #participaVe
Cinthia Pascuetoé moça do interior, jornalista em terras cariocas e cheia de sorrisos.

Tenho um baú bem perto da cama e uma mala no alto do armário. No baú eu guardo livros, nos livros eu guardo rosas secas. Na mala eu guardo o gosto de chegar mais perto do sol. Guardo vestidos no armário e sapatos fora das caixas. Nos vestidos eu guardo curvas. Nos sapatos eu guardo a poeira do chão. Nas caixas eu guardo cartas, cartões, bilhetes: papéis. Nos papéis eu guardo sonhos rabiscados, um futuro esboçado, um tanto de passado e de afetos recortados em pedaços e abraços. Nos sonhos eu guardo uma noite, duas, três. No futuro eu guardo passos. Promessas de caminhos e escolhas feitas a quatro mãos, duas bocas e dois corações. No passado eu guardo tanta história, lembrança, memória. E como se o passado se escondesse e reaparecesse, eu me lembro do que foi e do que ainda será. Nos afetos eu me guardo, me perco, me acho. E quando eu me encontro eu vejo você, chegando com uma rosa vermelha já despetalando de calor, abrindo a mala no meio da sala, pendurando suas camisas no armário e largando os sapatos aos pés da cama. Sem drama e sem cerimônia, você fica feliz com o sol e se preocupa com a minha insônia. Elogia o meu vestido, espalha seus papéis sobre a mesa de centro, diz que quer ficar comigo, em cima da cama larga o seu livro e me abraça em um abraço que vem de dentro. De um jeito perfeito, vejo um futuro refeito e um projeto de afeto sem fim dentro de mim. No seu peito eu me deito, me ajeito. Já não guardo ou aguardo mais nada. Apenas a sua chegada.
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Veronica Fantonié carioca e escritora, louca por música, vestidos e dias de sol.